Avião brasileiro está pronto para buscar 2 milhões de doses da vacina produzida na Índia

Governo indiano ainda não liberou a entrega e negociações prosseguem com governo brasileiro

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, declarou em entrevista coletiva ontem (18) no Palácio do Planalto que a conclusão da viagem para trazer um carregamento de vacinas importadas da Índia deve ter uma resolução ainda “nesta semana”.

Até o momento não há uma definição entre os governos brasileiro e indiano sobre a data em que o embarque dos imunizantes pode ser feito. O Brasil tem uma aeronave da companhia aérea Azul disponível para buscar o lote com 2 milhões de doses, mas diante das dificuldades na conclusão da aquisição, a aeronave permanece no país enquanto o governo tenta resolver a situação.

Vacina produzida na Índia foi desenvolvida pela Universidade de Oxford e pelo laboratório do Reino Unido Astrazeneca. O Brasil firmou um acordo de transferência tecnológica para a produção das doses pela Fundação Oswaldo Cruz. FOTO: AFP/Russell Cheyne

“Todos os dias temos tido reunião com a Índia. Nós estamos recebendo a sinalização de que isso deverá ser resolvido nos próximos dias desta semana, o embarque da carga pra cá. Não tenho resposta positiva até agora. Estamos contando com essas 2 milhões de doses para que a gente possa atender mais ainda a população”, informou Pazuello.

Presidente Jair Bolsonaro recebe o embaixador da Índia no Brasil para reunião de ajustamento. Reprodução: Twitter

A vacina é a desenvolvida pela Universidade de Oxford e pelo laboratório do Reino Unido Astrazeneca. O Brasil firmou um acordo de transferência tecnológica para a produção das doses pela Fundação Oswaldo Cruz.

Uma parte das doses fabricadas na Índia está em tratativas para aquisição com o objetivo de acelerar a primeira etapa de vacinação no Brasil.

Caso a importação seja viabilizada, as 2 milhões de doses serão somadas às 8 milhões da Coronavac importadas da China pelo Instituto Butantan, que atua em parceria com a farmacêutica chinesas Sinovac.

Nesta tarde, o Palácio do Planalto tuitou que o presidente Jair Bolsonaro participou nesta segunda-feira de uma audiência com o embaixador da Índia no Brasil, Suresh Reddy.

Fonte: Agencia Brasil

IMUNIDADE “alta” IMPEDE AÇÃO DO CORONAVÍRUS?

Toda defesa natural do nosso organismo é produzida pelo sistema imunológico, que virou o centro das atenções em tempos de coronavírus.
Fontes: BBC Brasil / Uol

É preciso primeiramente entender que a imunidade são os mecanismos que nosso corpo apresenta para garantir proteção contra agentes que podem causar danos a ele. Essa proteção é garantida graças ao nosso sistema imunológico, o qual é formado por moléculas, células, tecidos e órgãos que atuam de maneira conjunta para garantir nossa proteção. Alterações na nossa imunidade podem tornar-nos mais suscetíveis a doenças.

Ainda sobre a imunidade, se faz necessário entender que se classifica em dois tipos: INATA, aquela presente em todos os organismos desde o nascimento; e também a ADAPTATIVA, é aquela que adquirimos durante a vida. Tais imunidades atuam por duas formas: ATIVA, é aquela que ocorre quando o próprio corpo do indivíduo produz uma resposta imune, enquanto a PASSIVA é aquela em que o indivíduo recebe anticorpos já prontos, sem que seu sistema imunológico seja estimulado.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, o sistema imune passou a ter papel principal, isso porque, como ainda não temos medicamentos ou vacinas para nos proteger desse novo vírus, combatê-lo depende inicialmente da capacidade de resposta de cada indivíduo à doença, conhecida como covid-19. Sendo assim, mesmo que não impeça ninguém de contrair a doença, ter uma imunidade em dia é vital para ajudar na luta contra a infecção e na recuperação do doente, dizem especialistas.

Praticar exercícios físicos regularmente, reduzir o estresse, dormir bem e ter uma alimentação balanceada são importantes para manter nosso sistema de defesa funcionando. Imagem: reprodução internet

COMO GARANTIR BOA IMUNIDADE

Segundo especialistas, são quatro os pilares de uma “boa imunidade”: praticar exercícios físicos regularmente, reduzir o estresse, dormir bem e ter uma alimentação balanceada.

Mas, antes de tudo, eles alertam para outro tipo de combate, contra a “desinformação”. O principal mito é a suposição de que podemos “elevar nossa imunidade”, dizem.

“Não existe essa história de imunidade alta. Existe imunidade normal ou imunidade baixa por algum problema que a pessoa tenha, como doenças ou uso de medicamentos imunossupressores (que reduzem a atividade ou eficiência do sistema imunológico, usados, por exemplo, quando o paciente recebe um órgão transplantado). Imunidade alta não existe, não tem como elevar a imunidade”, explica o infectologista Alberto Chebabbo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e diretor-médico do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Rio de Janeiro.

“Ou seja, quem tem imunidade normal, tem o risco de contrair a doença e desenvolver os sintomas. Quem tem imunidade baixa, inclusive os idosos, porque seu sistema imunológico já envelheceu, tende a apresentar os sintomas mais graves da doença”, acrescenta.

ESTILO DE VIDA ALTERA NOSSA DEFESA

Ana Caetano Faria, professora titular de Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista da Sociedade Brasileira de Imunologia, concorda.

“O que ocorre é que nosso estilo de vida faz com que nossa imunidade caia. Ou seja, existem formas de restabelecer a normalidade de nosso sistema imunológico, mas não elevá-lo”, diz.

O sistema imunológico é um conjunto complexo de células, tecidos, órgãos e moléculas que cumprem funções específicas em uma resposta coordenada para neutralizar vírus, bactérias, fungos e parasitas — antes que sejam fatais.

COMO O SISTEMA COMBATE VÍRUS

Diante de uma nova ameaça, o corpo tem de partir do zero e construir as defesas necessárias. Mas, no caso de um vírus, este processo costuma ser mais demorado do que a velocidade com que este tipo de microrganismo se multiplica e infecta células.

“É uma corrida. O adversário avança mais rápido do que o sistema imunológico consegue desenvolver mecanismos de ação para combatê-lo”, afirma o imunologista Renato Astray, pesquisador do Instituto Butantan.

Isso não significa, no entanto, que a batalha esteja perdida. O sistema imunológico encontra com o tempo, formas de acabar com a ameaça, como vem ocorrendo nesta epidemia de coronavírus.

Leia mais: Sistema imunológico – garante a proteção do nosso corpo contra substâncias estranhas e patógenos

Mantenha hábitos saudáveis e tenha sua imunidade ativa

FORMA NATURAL DE MELHORAR A IMUNIDADE

O sistema imunológico precisa ter seu funcionamento adequado e isso está diretamente relacionado com a nossa saúde. Não existem fórmulas mágicas para melhorar-se a imunidade, entretanto, hábitos de vida saudáveis podem ajudar-nos a garantir um melhor funcionamento desse sistema”, explica Vanessa Sardinha dos Santos, professora de Biologia.

Dentre as medidas que devemos adotar para melhorar nosso sistema imunológico, destacam-se:

– Alimentar-se de maneira saudável;
– Dormir bem;
– Praticar exercícios físicos;
– Hidratar-se;
– Evitar situações que provocam estresse.

Estudo mostra que coronavírus já circulava no país antes do isolamento

AGÊNCIA Brasil
Fernando Fraga

Imagem: Reuters/Dado Ruvic

Um estudo que envolveu pesquisadores do Brasil e do Reino Unido mostra que o novo coronavírus (covid-19) já circulava no país antes da adoção de medidas de isolamento social. Para fazer a análise, o grupo identificou 427 genomas do vírus no Brasil a partir dos dados de 7,9 mil amostras de laboratórios públicos e privados. O trabalho foi publicado na plataforma medRxiv e ainda não passou pela revisão da comunidade científica.

O estudo identificou que entre 22 e 27 de fevereiro, três tipos do vírus, provavelmente vindos da Europa, estavam presentes no país e conseguiram se estabelecer antes das medidas para restringir o contágio. O primeiro caso no Brasil foi confirmado em São Paulo, no dia 24 de fevereiro, em um homem que tinha voltado de viagem à Itália. As primeiras medidas de isolamento social só foram adotadas no estado a partir de 16 de março, e a quarentena, com fechamento dos serviços não essenciais, em 24 de março.

O trabalho também mostra que as medidas de isolamento social conseguiram reduzir a disseminação da doença no país. Para avaliar esse impacto, os pesquisadores cruzaram o número de mortes diárias com dados sobre o deslocamento da população fornecidos pela empresa de geolocalização InLoco e pelo Google.

Apesar dos efeitos positivos da quarentena, o estudo mostra que com a queda na adesão ao isolamento social em São Paulo, houve também um aumento na velocidade de transmissão da doença.

A pesquisa mostra ainda que as viagens dentro do Brasil tiveram um papel importante para que o coronavírus circulasse entre as diferentes regiões do país. Segundo o artigo, as “altamente populosas e bem conectadas áreas urbanas do Sudeste agem como principais fontes de exportação do vírus dentro do país”, apontam os pesquisadores após analisar também as distâncias médias das viagens de avião no período da pandemia.

Assinam o trabalho pesquisadores ligados a 44 instituições no Brasil e no Reino Unido. Entre eles, está o grupo do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e da Universidade de Oxford, da Inglaterra, que em fevereiro fizeram o primeiro sequenciamento genético do coronavírus na América Latina.

CASAGRANDE ATACADO

PREÇOS EM 08/09/2020 (terça-feira)

OS PREÇOS AQUI LISTADOS SÃO ATUALIZADOS SEGUINDO OS PARÂMETROS DO SISTEMA DA RECEITA ESTADUAL DO ES

OBS 1: os preços podem ser remarcados ao longo do dia em cada supermercado (após feita essa pesquisa).
OBS 2: os campos preenchidos com hífen simbolizam produtos NÃO LOCALIZADOS ou ainda, produtos de embalagem econômica (desconto de indústria). O Site Mapa dos Descontos registra apenas os preços das embalagens convencionais, evitando confundir a variação de preço em diferentes supermercados (quando uns tem embalagem promocional e outros não possuem a mesma oferta). EX: ”Leve 500g Pague 450g”, ”Embalagem com 10% de desconto”.

HIGIENE PREÇO
Absorvente Sempre Livre c/ 8R$ 3,80
Ap. FEM Prestob Ultragrip 3 c/2R$ 12,67
Ap. MASC Prestobarba c/2 R$ 6,98
Condicionador Seda 325ml R$ 11,98
Creme dental Closeup 90g R$ 2,37
Desodorante Suave aero fem 150 ml R$ 7,99
Escova de dentes Oral B 123 c/1 un R$ 4,64
Fio Dental Oral B 25m
Papel Higiênico Milli Bianco 60m c/ 4 R$ 4,99
Sabonete Lux 85g em barra R$ 1,36
Shampoo Seda 325 ml R$ 9,98
ALIMENTAÇÃO PREÇO
Alho (kg) R$ 21,98
Arroz tipo 1 pct 5kg R$ 19,98
Azeitona caroço sachê Vale Fértil 240g R$ 3,98
Açúcar cristal 5kg R$ 9,48 PROMO
Batata (kg)R$ 3,49
Batata palha 50gR$ 2,89
Biscoito cream cracker 500g R$ 3,45 PROMO
Biscoito maisena 200g R$ 4,29
Café em pó almof Número1 500gR$ 5,58 PROMO
Carne de 1ª (Alcatra) kg
Carne de 2ª (Acém) kg
Cebola (kg) R$ 3,98
Coco ralado sachê 50gR$ 2,99
Creme de leite UHT 200mlR$ 2,89
Far. de mandioca fina 1kg tipo 1R$ 2,68
Far. de trigo papel 1kgR$ 2,98 PROMO
Feijão carioquinha 1 kg tipo 1R$ 6,49
Frango congelado inteiro (kg)
Frango resfriado inteiro (kg)
Ketchup Predilecta 400gR$ 3,79
Leite condensado Moça 395gR$ 5,78
Leite condensado TP 6%+ 395gR$ 4,42
Leite de coco 200mlR$ 2,19
Leite de coco 500mlR$ 6,47
Leite em pó integ sachê 400gR$ 8,77
Leite longa vida integral 1LR$ 4,19 PROMO
Linguiça fresca (kg) R$ 11,90 PROMO
Macarrão Sarloni paraf c/ ovos 500g R$ 2,79
Maionese Arisco 500gR$ 3,49
Manteiga Limilk c/ sal 200g
Margarina Claybom 500gR$ 4,13
Milho verde Predilecta lata R$ 2,39
Molho tom refog sachê Predilecta 340g
Óleo de soja Soya 900 mlR$ 5,99 PROMO
Ovos brancos (dz)R$ 4,98
Palmito picado 300g
Pão francês/sal KgR$ 10,99
Queijo muçarela fatiado (kg)R$ 44,38
Salsicha avulsa (kg)R$ 7,70
Sardinha 88 em óleo 125GR$ 3,49
Vinagre Toscano de álcool 750mlR$ 1,79
LIMPEZA PREÇO
Água Sanitária Qboa 1L R$ 3,55
Amac Comfort diluído Classic 2L
Cera Líquida (bry incolor) 500ml R$ 6,59
Cloro Aracruz 1L R$ 3,70
Desinfetante Pinho Bril 500mlR$ 3,26 PROMO
Esponja lava louça c/ 3unR$ 2,59
Lava louças liq Ypê 500ml R$ 1,99
Lava roupas liq OMO 3L R$ 36,98
Limpa alumínio Alumil 500mlR$ 3,17
Limpa vidros Azulim 500mlR$ 3,77
Limpador multiuso Azulim 500mlR$ 3,07
Lã de aço Bombril c/ 8unR$ 1,89
Rodo plástico 40cm R$ 12,52
Sabão em barra Razzo (unidade)R$ 1,74
Sabão em pó Brilhante sachê 1,6kg R$ 13,98
Sacos de lixo 15L c/ 80unR$ 7,35
Saponáceo Crem CIF 250mlR$ 6,35
Vassoura piaçava nº 4R$ 15,99

CORONAVÍRUS: o homem de 86 anos com 13 doenças crônicas que se recuperou da covid-19

Fonte: BBC Brasil
Matheus Magenta
Da BBC News Brasil em Londres

Ele pertencia a quase todos os grupos mais atingidos pelo novo coronavírus. Era homem, tinha 86 anos e apresentava 13 doenças crônicas antes de contrair a grave doença respiratória.

Exame de imagem mostrava sinais nos dois pulmões que podem ser associados a uma pneumonia. Foto: BBC Brasil

Só que, para a surpresa dos profissionais de saúde, ele se tornou uma das 300 mil pessoas recuperadas da covid-19 até agora.

Mas como isso foi possível, já que até o momento não há nenhum estudo clínico que prove a eficácia de um tratamento contra o vírus Sars-CoV-2?

A história inesperada é relatada em um artigo assinado por cinco médicos das cidades chinesas de Guangzhou e Wuhan, onde a pandemia começou em dezembro do ano passado.

O trabalho, já avalizado por pares, foi submetido à revista científica da Associação Internacional para Estudos de Câncer de Pulmão.

POUCAS ESPERANÇAS

Os autores contam que o homem, de identidade não revelada, chegou ao hospital em 22 de janeiro, após dois dias de tosse e febre em torno de 38,8ºC.

Mas as perspectivas não eram muito promissoras para o paciente no Hospital Universitário de Jianghan.

De acordo com o mais amplo estudo já feito sobre a doença, com dezenas de milhares de infectados na China, o grupo com a mais alta taxa de mortalidade era o de pessoas com 80 anos ou mais: 15 a cada 100 infectados morrem.

E para agravar as perspectivas, o paciente de 86 anos apresentava outro fator de risco para o coronavírus: as chamadas comorbidades, que enfraquecem o sistema imunológico. Mais precisamente, 13 delas. A exemplo de hipertensão, diabetes, aterosclerose cerebral, pancreatite e insuficiência renal.

Taxa de mortalidade por coronavírus (idade)

Fonte: Centro Chinês para Controle de Doenças

No caso das pré-existentes diabetes e hipertensão, por exemplo, elas debilitam os neutrófilos, o tipo de glóbulo branco mais numeroso em nosso corpo e que atua como nossa primeira linha de defesa diante de ameaças, como bactérias e vírus.

Além disso, uma tomografia computadorizada apresentou sinais nos dois pulmões que podem ser associados a uma pneumonia.

O diagnóstico de covid-19 foi confirmado sete dias depois da entrada do paciente no hospital por meio do teste que identifica a presença do código genético do novo coronavírus.

COMO REVERTER ESSE QUADRO?

Apesar da corrida global em busca de um remédio que seja eficaz contra a nova doença, ainda não há nenhum estudo clínico em larga escala que tenha apontado alguma solução. Todos, até o momento, são usados de forma experimental a partir de estudos preliminares.

Mas isso significa que os médicos não utilizem remédios em pacientes graves para combater não apenas os sintomas mas também o vírus? Não.

As principais alternativas em estudo e aplicadas a depender da avaliação de cada médico incluem o remdesivir (criado contra o ebola), a cloroquina/hidroxicloroquina (antimaláricos que têm sido associados também ao antibiótico azitromicina) e uma combinação de ritonavir e lopinavir (usados contra o HIV), entre outros.

Ainda não há nenhum estudo clínico em larga escala que tenha apontado alguma solução que de fato funcione contra o novo coronavírus. Foto: Getty images

No Brasil, o Ministério da Saúde liberou o uso da cloroquina/hidroxicloroquina, apenas com autorização médica, a partir dos dados preliminares disponíveis, o chamado de uso compassivo (por compaixão), por não haver ainda uma “alternativa terapêutica específica para esses pacientes”.

No caso do paciente de 86 anos que se curou na China, os cinco médicos relatam que o tratamento foi a associação de um remédio para combater a infecção, outro contra o vírus em si e um terceiro à base de corticoide (metilprednisolona) para evitar o que se chama de “tempestade de citocinas”, substâncias que modulam o tamanho da resposta imunológica do corpo contra um invasor.

Essa tal tempestade é, na verdade, uma reação exagerada de defesa do corpo para combater o patógeno que acaba levando, em alguns casos de covid-19, a uma quantidade desproporcional de células nos pulmões que acaba obstruindo as vias aéreas e impedindo a transferência de oxigênio para a corrente sanguínea. É como se os pulmões acabassem inundados e sufocados.

Segundo especialistas, essa resposta imune exagerada tem sido uma das principais causas de morte de pacientes (principalmente os jovens) com coronavírus. Ainda não está claro porque algumas pessoas apresentam essa “tempestade de citocinas” e outras não.

O tratamento para o paciente de 86 anos descrito pelos cinco médicos chineses também recebeu na veia uma injeção de imunoglobulina humana, produzida a partir do plasma sanguíneo de outros doadores e usada para reforçar o sistema imunológico.

O tratamento com base em anticorpos de pessoas que se curaram, utilizado de forma experimental na China durante a pandemia, é uma das alternativas mais promissoras em estudo contra a covid-19.

O fato é que não dá para ter certeza se a melhora foi resultado dos remédios, mas alguns dias após a administração desse tratamento quádruplo, a febre cedeu e a inflamação nos pulmões recuou, segundo os pesquisadores.

Pela gravidade e velocidade da pandemia, médicos administram medicamentos experimentais para alguns pacientes da covid-19 mesmo que os estudos ainda estejam incompletos. Foto: Getty images

O que esse caso diz sobre a eficácia do tratamento?

Há dezenas de substâncias sob estudos clínicos em andamento ao redor do mundo em busca de um tratamento que funcione contra o novo coronavírus, mas nenhum deles chegou a alguma conclusão sobre sua eficácia.

O que veio a público até agora pela mídia e por redes sociais se trata de testes preliminares, que ainda não passaram por todas as etapas necessárias para uma eventual aprovação. A exemplo de testes in vitro, em camundongos, em animais não roedores e em humanos.

Uma dessas fases é a realização de um teste clínico randomizado controlado, considerado o padrão-ouro da pesquisa científica.

Nele, os pacientes são escolhidos aleatoriamente para evitar que haja um viés de confirmação (uma tendência de interpretar ou orientar os resultados de modo que confirme a hipótese inicial ou as certezas do pesquisador).

Por isso, esse caso isolado de cura do paciente de 86 anos com 13 comorbidades não pode ser tomado como uma prova de que essa abordagem funciona. O mesmo vale para os casos de pacientes que venceram a doença após receberem outros medicamentos experimentais.

Não é possível determinar atualmente que esses remédios foram responsáveis pela melhora do paciente, ou se o corpo venceu a batalha contra o vírus por si próprio, mas todas essas informações servem de pistas dos caminhos que podem ser seguidos pelos pesquisadores.

Um dos tratamentos ainda em estudo utiliza plasma sanguíneo com anticorpos doado por outras pessoas para fortalecer o sistema imunológico de pacientes doentes. Foto: Getty images

Há duas principais pistas dadas pela recuperação do paciente de 86 anos. Uma é a eventual eficácia da chamada imunização passiva com transfusão de plasma sanguíneo, que utiliza anticorpos de outras pessoas. Centros de pesquisa do Brasil foram autorizados a estudar essa possibilidade.

A segunda é um possível caminho para a batalha contra a “tempestade de citocinas”, que ganhou fama durante a Gripe Espanhola entre 1918 e 1920, ao matar muitos jovens.

Randy Cron, especialista em tempestades de citocinas da Universidade do Alabama em Birmingham, afirmou ao jornal americano The New York Times que essa resposta imunológica exagerada aparece em 15% das pessoas que estão lutando com infecções graves.

Ainda não há dados específicos sobre a incidência dela na pandemia atual de coronavírus.

Essa tempestade também é uma das hipóteses (ainda sem confirmação) para explicar por que crianças parecem não estar ficando gravemente doentes.

Em adultos em estado grave, uma resposta imune exagerada parece causar mais danos do que benefícios, provocando uma falência múltipla de órgãos.

Mas crianças, com sistema imunológico mais imaturo, parecem ser menos capazes de criar tempestades de citocina no combate a infecções virais.

Esse quadro de reação desenfreada pode explicar também porque a obesidade é um dos fatores de risco para a covid-19.

“Existem estudos em animais e em humanos que apontam, em quadros de obesidade, uma maior secreção de citocinas, que são substâncias inflamatórias produzidas por diferentes células do organismo e que modulam as células que defendem o corpo de infecções”, afirmou Oscar Cingolani, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, em entrevista recente à BBC News Brasil.

“Estamos começando a ver se isto contribui (para agravamento de quadros de covid-19). O que já sabemos é que, em alguns Estados americanos, como Nova Orleans, onde existem muitos obesos, estes estão entre os mais afetados pelo novo coronavírus.”

Matéria publicada em BBC Brasil (internet) – em 8 de abril de 2020

SAIBA TUDO SOBRE O NOVO CORONAVIRUS

Especialista esclarece tudo o que se sabe até agora

Dr.Renato Barra, médico do IMEB (Imagens Médicas de Brasília)

O mundo inteiro está LUTANDO contra a evolução do novo coronavírus (Covid-19) originado na China, onde surgiram relatos dos primeiros casos em meados de dezembro de 2019. Em todos os jornais e sites de notícia, esse tem sido o assunto mais falado. 

O vírus que afeta o ser humano causa sintomas semelhantes aos da gripe ou de um simples resfriado, mas não possui ainda um tratamento específico. Além disso, em alguns casos pode levar o paciente à morte. 

NÚMEROS DE CASOS NO MUNDO

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) registraram hoje (13 de março de 2020) os seguintes números:

CASOS EM TODO O MUNDO (até 13 de abril)
1.897.373 – Casos confirmados
444.492 – Curados
118.304 – Mortes

CASOS NO BRASIL
22.720 – Casos confirmados
1.270 – Mortes

EUA – 23.068 Mortes
Espanha – 17.614 Mortes
Itália – 20.465 Mortes
França – 14.967 Mortes
Reino Unido – 11.329 Mortes
Irã – 4.585 Mortes
China – 3.341

O coronavirus foi descoberto em 1960 e forma uma grande família viral. Corona significa “coroa” em italiano e foi nomeado dessa forma por conta das espículas que possui em sua superfície, que remetem ao objeto.

Inicialmente infectava animais, como: aves, morcegos, porcos e camelos. Porém, sofreram mutações e passaram a infectar humanos.

O vírus causa sintomas semelhantes aos de uma gripe comum até um quadro de síndrome respiratória aguda.

COMO O COVID-19 É TRANSMITIDO?

Isso é o que mais tem preocupado as pessoas e os governos nesse momento em relação ao coronavírus: sua rápida transmissão. O vírus se propaga de uma pessoa para outra por meio das vias respiratórias (secreções aéreas do paciente infectado) ou por contato com secreções contaminadas.

O vírus é transmitido, principalmente, por meio da tosse, do espirro e do próprio aperto de mão, a depender da capacidade do vírus de se multiplicar no organismo do infectado. 

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

O período de incubação (tempo entre a exposição e a manifestação dos sintomas) do Covid-19 é de 2 a 14 dias, sendo que os sintomas são semelhantes ao de uma gripe ou resfriado. Conheça os principais a seguir:

  • Febre
  • Tosse
  • Congestão nasal
  • Falta de paladar
  • Dor de garganta
  • Cansaço e dor no corpo
  • Falta de ar

Acomete, principalmente, idosos com doenças crônicas, crianças e pessoas com baixa imunidade.

COMO O NOVO CORONAVIRUS LEVA À MORTE?

A grande maioria dos infectados pelo novo coronavírus consiga se recuperar, algumas pessoas acabam desenvolvendo quadros respiratórios mais graves que atingem os brônquios e os pulmões, provocando pneumonia. Quando essa pneumonia evolui, pode levar o paciente à morte.

Ainda não se sabe ao certo por que a doença evolui dessa forma em certos casos, mas alguns grupos de pessoas estão mais suscetíveis à morte caso contraiam o novo coronavírus. São eles: idosos, crianças e aqueles que já possuem uma doença prévia.

Cientistas estimam que a cada mil casos do novo coronavírus, cerca de 2% ou menos resulta em morte. Os fatores estão associados ao gênero, idade, condições de saúde e até mesmo ao sistema de saúde no qual as pessoas estão inseridas.

EXISTE TRATAMENTO?

No momento, ainda não existe um tratamento específico homologado para contornar a atuação do vírus. Embora alguns médicos mundo afora tem iniciado protocolos de testes com medicamentos já existentes.

Pesquisadores de países como EUA, Itália e Alemanha tentam desenvolver as pressas uma vacina contra o Covid-19.

Investe-se em suporte com medicamentos sintomáticos, no caso de febre e dor. E, em casos mais graves, é indicado o acompanhamento em unidade de terapia intensiva.

COMO SE PREVENIR DO NOVO CORONAVIRUS?

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a melhor forma de evitar a doença é por meio da prevenção, seguindo medidas, como:

  • Manter a higienização das mãos e fazer uso de álcool em gel de grau alcoólico 70%, sempre que estiver fora de casa.
  • Não compartilhar itens de uso pessoal (como copos, talheres, toalhas).
  • Cobrir a boca ao tossir ou espirrar e lavar as mãos em seguida.
  • Evitar ambientes aglomerados, com pouca circulação de ar.
  • Evitar contato respiratório com pessoas doentes.
  • Não visitar países que são áreas de risco, assim como evitar contato com pessoas que estiveram nesses locais recentemente.
  • Fortalecer o sistema imunológico com uma boa alimentação, balanceada e rica em nutrientes; e com um sono de 6 a 8 horas por noite. 
  • Manter sua carteira de vacinação contra a gripe em dia.

É MESMO NECESSÁRIO EVITAR SAIR DE CASA?

A iniciativa de se evitar aglomerações e a circulação em ambiente públicos, sempre que possível, tem como objetivo conter a disseminação da doença, prevendo a capacidade de atendimento médico em todo o país.

Por mais que o contágio do coronavírus por pessoas consideradas saudáveis não apresente risco, a transferência do vírus para bebês, idosos, diabéticos ou outros grupos de risco pode ser fatal.

Para reverter o quadro acelerado de contágio da pandemia, medidas rígidas têm sido adotadas e devem ser seguidas por todos.

No Brasil, os governos estaduais e municipais tem adotado por meio de decretos, fechar comércios, escolas e até estradas e aeroportos. O governo federal montou uma equipe interministerial para estudar formas de fazer a economia girar e ao mesmo tempo, minimizar o avanço de contágio do vírus.

Tome os devidos cuidados e mantenha sua saúde em dia, investindo em uma boa alimentação, exercícios físicos, consultas sempre que necessário e mantendo sua carteira de vacinação sempre em dia.

COMO PRESERVAR A FERTILIDADE

Dicas fundamentais de hábitos para futuras mamães que podem ajudar a mulher a preservar a sua fertilidade.

Por Fabiana Andrade/Terra.com.br

1. Afaste-se dos cigarros

O tabaco provoca o envelhecimento de todas as células do organismo, inclusive os óvulos. Além disso, a fumadora tem alterada a qualidade de seu endométrio, a parede que cobre o útero e abriga o embrião fecundado. Com isso, a implantação do feto pode não acontecer.

2. Evite bebida alcoólica

Não há “dose segura” de álcool. E essa substância em excesso pode prejudicar o controle ovulatório da mulher, o que atrapalha a fertilidade.

3. Pratique atividades físicas

Os exercícios físicos ajudam na manutenção da boa forma, fator que é importante para o funcionamento de todo o organismo, inclusive para a fertilidade. Mulheres obesas podem enfrentar problemas com o ciclo ovulatório.

4. Alimente-se correta e saudavelmente

Assim como no caso das atividades físicas, o corpo depende de uma boa dieta alimentar para manter-se dentro do peso ideal. Comer bem e praticar exercícios são os segredos da boa forma e arma contra a obesidade que, além de outras complicações, pode prejudicar o ciclo ovulatório e a fertilidade.

5. Faça acupunctura

A prática traz bem-estar e qualidade de vida, dois fatores muito importantes para a manutenção de todo o organismo, inclusive das células da fertilidade, os óvulos.

6. Coma soja e alimentos ricos em vitaminas C e E

A soja é rica em uma substância que funciona como hormona feminina no organismo (o estrogénio) e esse fator pode auxiliar na manutenção da fertilidade.

As vitaminas C e E ajudam a preservar a qualidade das células do corpo, inclusive os óvulos.

7. Afaste-se dos anabolizantes

Os anabolizantes são nocivos para a saúde e para o funcionamento do corpo, inclusive no que se refere à fertilidade.

Estes produtos introduzem hormonas masculinos no corpo de uma mulher, o que pode causar um desequilíbrio que afeta até a ovulação

8. Faça visitas periódicas ao ginecologista

Manter a saúde sexual e reprodutora em dia é importante para a preservação da fertilidade da mulher. Nas visitas periódicas ao ginecologista a mulher saberá se está tudo bem com seu aparelho reprodutor.

9. Use preservativo e proteja-se das DSTs

As doenças sexualmente transmissíveis são um veneno para a fertilidade humana. Portanto, o ideal é utilizar o preservativo que protege tanto o homem, quanto mulher. No caso das mulheres, uma DST pode comprometer as trompas de falópio, o canal que serve de encontro para o óvulo e o espermatozóide.

10. Faça terapia

Conheça-se bem, seja feliz, “limpe” os ruídos negativos que atrapalham a sua auto-estima e auto confiança.

11. Pratique Mindfulness

Aprenda a eliminar a ansiedade, a viver no presente, a estar bem consigo mesma.

A ADOLESCÊNCIA NA ERA DIGITAL: QUANDO OS SEUS FILHOS HABITAM DOIS MUNDOS DIFERENTES

Os pais passaram a ter uma dupla preocupação com os seus filhos.

Por Antônio Norton, Psicólogo Clínico

Dupla preocupação porque os seus filhos habitam dois mundos:
– O mundo real – Podemos chamar de “Mundo Offline”
– O mundo digital/virtual – Podemos chamar de “Mundo Online”

Longe vão os tempos em que ter o seu filho no quarto significava um espaço de segurança, livre de preocupações.

Hoje em dia, com o acesso à Internet, seja através do computador ou do telemóvel, o seu filho pode estar perfeitamente no quarto a viajar online por sites desconhecidos, com algum grau de risco, ou a travar amizades virtuais com pessoas desconhecidas ou mesmo a obter informações não adequadas para a sua idade.

Parece que o sossego acabou…

O que fazer perante este cenário?

Como poderá supervisionar o mundo real e o mundo digital dos seus filhos adolescentes?

Como poderá habitar paralelamente estes dois mundos?

Respire fundo, porque existem algumas estratégias que o poderão ajudar!

Na base de toda e qualquer estratégia deverá estar sempre a Regra de Ouro da Comunicação:

  • Fale todos os dias com os seus filhos, olhos nos olhos e não olhos nos écran, sejam os seus ou os deles. Procure observar as suas expressões faciais e esteja atento ao seu tom de voz.
  • Revele interesse e curiosidade pelas pesquisas reais e digitais dos seus filhos. Mostre disponibilidade e genuíno interesse para compreender que sites visitaram, com quem falaram e como passaram o seu tempo na Internet.
  • Queira conhecer esta faceta dos seus filhos sem julgamento.
  • Poderá também servir-se de modalidade de proibição parental da visita a certos sites. Esta estratégia tem o seu risco pois poderá aumentar a vontade de quebrar barreiras, de testar os limites dos seus filhos.
  • Fale abertamente sobre os riscos e os perigos da Internet. Fale sobre os seus pontos de vista e procure um espaço de entendimento por parte dos seus filhos.
Mundo real e o mundo virtual precisam ser esclarecidos na mente dos adolescentes.

Não se esqueça que a Adolescência é geralmente caracterizada por uma forte desidentificação com os modelos parentais, pelo que quanto mais pontes de aproximação conseguir criar com os seus filhos, menor o risco de começarem a falar “línguas diferentes”, com códigos próprios e universos distintos.

Estas são algumas das medidas que poderá implementar para sentir outro conforto na imersão dos seus filhos nestes dois mundos altamente desafiantes: O mundo real e o mundo virtual.

FÍSICO VÊ INDÍCIOS DE PLANEJAMENTO INTELIGENTE NO UNIVERSO

Em entrevista, o doutor em Física Rafael Lopes falou sobe Big Bang, o universo e seus desdobramentos.

Por Felipe Lemos, Assessor de comunicação da sede sul-americana da Igreja Adventista.

O Big Bang, a expansão do universo, e temas que se propõem a explicar em detalhes o cosmo, costumam ser muito abstratos para muitos. É difícil para a maioria das pessoas entender como toda esta imensidão de estrutura passou a existir e como se desenvolveu. Cientistas se debruçam sobre estes temas há séculos e procuram entender, com ajuda de tecnologia de ponta, o que nos cerca em uma realidade com milhares de astros e infinitas complexidades.

A energia escura é a melhor resposta para explicar a surpreendente expansão acelerada do universo, observada desde 1998.

Um dos que se ocupa disso é o físico adventista Rafael Lopes. Ele é formado em Física pela Universidade Federal do Maranhão (2005), com mestrado em Física (2008), e ênfase em Teoria Quântica de Campos, pela mesma universidade. Em 2009, passou a atuar como professor efetivo de Física do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão. No ano de 2018, concluiu o doutorado em Física com ênfase em cosmologia na Universidade de São Paulo (USP). Ele conversou sobre o universo e seus desdobramentos com a equipe da Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN).

Leia também: Físico afirma: “estudo do Universo nos abre fronteiras ao entendimento”

Fale um pouco sobre o que se sabe, de maneira geral na ciência, a respeito da origem e expansão do Universo. O que temos hoje?

Segundo os dados e teoria que possuímos, o melhor modelo para descrever a origem do universo é a teoria conhecida como do Big Bang. De acordo com este modelo, o universo se iniciou a partir de um estado de altíssima densidade e começou a se expandir. Primeiramente, esse modelo é resultante de uma solução das equações de Einstein da teoria da relatividade Geral, com diversas confirmações experimentais. Além dessa fundamentação teórica, a teoria do Big Bang é fortalecida por largas confirmações como a observação da radiação cósmica de fundo, um eco energético dos momentos iniciais do Big Bang e a abundância de gás hélio.

Quanto à expansão, o modelo que melhor descreve a dinâmica do universo é o modelo LambdaCDM. E que caracteriza a expansão do universo como resultante da influência de seu conteúdo energético, o qual é formado de 5% de matéria comum, 25% de matéria escura e 70% de energia escura. A matéria escura foi descoberta como resultado da observação de efeitos gravitacionais que são bem mais intensos do que a matéria luminosa observada poderia causar. E a energia escura é a melhor resposta para explicar a surpreendente expansão acelerada do universo, observada desde 1998.

Como explicar a visualização de galáxias antiquíssimas, há bilhões de anos-luz de distância já plenamente formadas, se a teoria vigente até aqui era a da evolução gradual das galáxias? Ou elas foram criadas prontas, ou a teoria do Big Bang precisa de sérias revisões. Como você avalia isso?

Um ponto importante a definir é que a teoria do Big Bang não é o mesmo que teoria de formação de estruturas. Uma não necessariamente implica na outra. A teoria de formação de estruturas realmente implicaria que estruturas vistas a longas distâncias deveriam aparentar ser mais irregulares, no entanto, essas divergências podem implicar que o processo de formação de estruturas ainda não é bem compreendido. Além disso, se outras observações não apresentarem os mesmos resultados, pode significar apenas que essas galáxias estavam em uma condição especial tal que permitiu acelerar seu processo de formação. Portanto, as soluções para essas observações são mais complexas do que imaginamos.

Quais são as explicações que os criacionistas oferecem a respeito da origem e expansão do Universo?

Dentro da visão criacionista, que interpreta os primeiros capítulos do livro de Gênesis como literais, é possível identificar algumas variantes de interpretação. Por exemplo, existem os criacionistas de Terra jovem e universo jovem. Para eles, o livro de Gênesis descreve a criação tanto da Terra como do universo em sete dias literais. Nesse caso, haveria diversas discordâncias entre a visão apresentada pela ciência e pela Bíblia. Além dessa, há uma visão de que o relato de Gênesis está focado na descrição da preparação da Terra para habitação de vida e não na formação do universo. Este ponto de vista não apresentaria uma discordância direta com o modelo atual de origem e expansão do universo.

É importante destacar que há experientes teólogos que advogam em favor de ambas as visões. Isso demonstra, no mínimo, que  a Bíblia não é específica ao descrever o processo de origem do universo. Mas ela deixa claro que o originador foi Deus, que o criou a partir do nada. E isso está em consonância com a teoria do Big Bang. Tais semelhanças, inclusive, foram as principais razões para resistência à aceitação dessa descrição do universo por parte de diversos cientistas, até hoje. Como descreve Robert Jastrow, astrônomo agnóstico e fundador do Instituto Goddard da Nasa, ex-chefe do Observatório Mount Wilson: “A Lei de Hubble é uma das grandes descobertas da ciência: ela é um dos principais suportes da história científica do Gênesis”.

Você tem estudado mais profundamente a Cosmologia e, provavelmente, percebe um planejamento inteligente sobrenatural na organização das galáxias e planetas, certo?

Desde a teoria do Big Bang, até a teoria de formação de estruturas, podemos ver indícios de um planejamento. Em especial, quando pensamos nos ajustes necessários para que o universo tivesse a aparência que tem. Por exemplo, se as “sementes” de densidade no universo não fossem da ordem que certa, o que ocorreria? O universo poderia ter se tornado logo um imenso buraco negro ou tão disperso que não haveria qualquer estrutura observável como galáxias e aglomerados. Nas palavras do ganhador do prêmio Nobel de Física, George Smoot, obtido pela descoberta do espectro de corpo negro e da anisotropia da radiação cósmica de fundo:

“E quando vemos que uma inclinação considerável no espectro da flutuação quântica das ondulações primordiais poderia ter produzido, no lugar, um vasto formigueiro de buracos negros ou um cosmos de gigantes pesados, então novamente percebemos o quão facilmente as coisas poderiam ter sido muito diferentes” (citado no livro “Mostre-me Deus!”, de Fred Heeren)Outra concordância que indica um designer é a harmonia quanto aos valores das constantes físicas necessárias na descrição da física do universo, questão conhecida como ajuste fino do universo. Isso é tão patente que, para explicarem, muitos cientistas utilizam o conceito de multiversos. É uma teoria que defende que o nosso universo faz parte de uma coleção de universos, cada qual com sua configuração de valores das constantes fundamentais. Dessa forma, o nosso universo foi aquele que teve a “sorte” de ter as constantes ajustadas de tal forma a permitir a formação de vida inteligente. Não há, contudo, qualquer confirmação experimental de tal proposta.

HOMOSSEXUALIDADE: NÃO DEVEMOS OLHAR SÓ PARA OS GENES

Novas pesquisas sobre homossexualidade e genética precisam ser analisadas a partir de um olhar técnico. O que realmente há de sólido neste assunto?

Por Tiago Souza é biólogo, mestre e doutor em Genética pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP).

Sempre que surge um novo estudo sobre o tema da homossexualidade associado à genética, muita especulação e notícias sensacionalistas são veiculadas. Muitas delas adotam, por vezes, um claro viés ideológico. Não foi diferente com o estudo Large-scale GWAS reveals insights into the genetic architecture of same-sex sexual behavior. O material foi publicado no prestigiado periódico Science no dia 29 de agosto desse ano.

Foto: NACE

O estudo foi liderado pela cientista Andrea Ganna, e contou com a colaboração de pesquisadores das principais universidades do mundo (por exemplo Harvard, MIT e Cambridge). É uma pesquisa que demonstra metodologia robusta e um grupo amostral respeitável de quase 500 mil pessoas. É considerado, ainda, o maior estudo já realizado que se propôs a investigar a base genética da sexualidade humana.

Contexto
Precisamos contextualizar as análises que foram feitas nesse estudo. Em primeiro lugar, é importante lembrarmos que o genoma humano é formado por 3 bilhões de pares de nucleotídeos que são representados pelas letras A (adenina), T (timina), C (citosina) e G (guanina). Algumas sequências dentro dessas bilhões de letras formam genes. A espécie humana possui cerca de 20 a 25 mil genes.

No entanto, algumas letras específicas (A, T, C, G) podem variar dentro da sequência do gene de um indivíduo para o outro. Quando uma dessas variações envolve apenas uma letra da sequência gênica e está presente em pelo menos 1% da população, recebe o nome de Polimorfismo de Nucleotídeo Único (SNPs).

As análises conduzidas por Andrea e seus colaboradores correlacionaram as SNPs de cada uma das 492.678 pessoas analisadas com a respectiva preferência sexual. Eles queriam encontrar alguma variação na sequência do DNA que estivesse relacionada com o comportamento homossexual. Apesar de todo o esforço, apenas cinco marcadores genéticos foram estatisticamente correlacionados com o comportamento homossexual. De forma geral, os resultados desse novo estudo não foram muito diferentes dos outros e apontaram que até 25% do comportamento homoafetivo pode ser explicado por componentes genéticos.

Ou seja, esses resultados demonstram claramente que os aspectos culturais e sociais do indivíduo são mais presentes (75%) em relação a aspectos genéticos. É importante ressaltar que aspectos culturais e sociais podem influenciar a dinâmica dos genes por meio de alterações epigenéticas, e essas alterações podem explicar de forma mais satisfatória uma provável tendência à homossexualidade.

Foto: CC.com

Reação à pesquisa
Obviamente, o comportamento humano é extremamente complexo e determinado por diversos fatores. Isso inclui aspectos genéticos, epigenéticos, culturais e sociais. É por isso que o estudo, de forma alguma, representou uma revolução na compreensão das bases do comportamento homossexual.

O prestigiado periódico científico Nature, em nota oficial, escancarou a insignificância dos resultados obtidos por Andrea Ganna e colaboradores. Isso aparece já no título da nota, que diz: “Nenhum ‘gene gay’: estudos maciços se baseiam na base genética da sexualidade humana.” E no subtítulo também: “Quase meio milhão de genomas revelam cinco marcadores de DNA associados ao comportamento sexual – mas nenhum com o poder de prever a sexualidade de um indivíduo.” Ou seja, apesar do esforço de amostra louvável desse estudo, temos de ser realistas quanto à ausência de marcadores genéticos comprovadamente relacionados à homossexualidade.

Infelizmente, o sensacionalismo promovido por alguns meios de comunicação transforma estudos como esse em “provas” inequívocas de que existe uma base genética para a homossexualidade. Há um tipo de manipulação de dados científicos, seja em prol de uma agenda progressista ou conservadora. Isso é extremamente preocupante, pois fere a neutralidade do método científico e ainda promove desinformação entre a população leiga.