IMUNIDADE “alta” IMPEDE AÇÃO DO CORONAVÍRUS?

Toda defesa natural do nosso organismo é produzida pelo sistema imunológico, que virou o centro das atenções em tempos de coronavírus.
Fontes: BBC Brasil / Uol

É preciso primeiramente entender que a imunidade são os mecanismos que nosso corpo apresenta para garantir proteção contra agentes que podem causar danos a ele. Essa proteção é garantida graças ao nosso sistema imunológico, o qual é formado por moléculas, células, tecidos e órgãos que atuam de maneira conjunta para garantir nossa proteção. Alterações na nossa imunidade podem tornar-nos mais suscetíveis a doenças.

Ainda sobre a imunidade, se faz necessário entender que se classifica em dois tipos: INATA, aquela presente em todos os organismos desde o nascimento; e também a ADAPTATIVA, é aquela que adquirimos durante a vida. Tais imunidades atuam por duas formas: ATIVA, é aquela que ocorre quando o próprio corpo do indivíduo produz uma resposta imune, enquanto a PASSIVA é aquela em que o indivíduo recebe anticorpos já prontos, sem que seu sistema imunológico seja estimulado.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, o sistema imune passou a ter papel principal, isso porque, como ainda não temos medicamentos ou vacinas para nos proteger desse novo vírus, combatê-lo depende inicialmente da capacidade de resposta de cada indivíduo à doença, conhecida como covid-19. Sendo assim, mesmo que não impeça ninguém de contrair a doença, ter uma imunidade em dia é vital para ajudar na luta contra a infecção e na recuperação do doente, dizem especialistas.

Praticar exercícios físicos regularmente, reduzir o estresse, dormir bem e ter uma alimentação balanceada são importantes para manter nosso sistema de defesa funcionando. Imagem: reprodução internet

COMO GARANTIR BOA IMUNIDADE

Segundo especialistas, são quatro os pilares de uma “boa imunidade”: praticar exercícios físicos regularmente, reduzir o estresse, dormir bem e ter uma alimentação balanceada.

Mas, antes de tudo, eles alertam para outro tipo de combate, contra a “desinformação”. O principal mito é a suposição de que podemos “elevar nossa imunidade”, dizem.

“Não existe essa história de imunidade alta. Existe imunidade normal ou imunidade baixa por algum problema que a pessoa tenha, como doenças ou uso de medicamentos imunossupressores (que reduzem a atividade ou eficiência do sistema imunológico, usados, por exemplo, quando o paciente recebe um órgão transplantado). Imunidade alta não existe, não tem como elevar a imunidade”, explica o infectologista Alberto Chebabbo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e diretor-médico do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Rio de Janeiro.

“Ou seja, quem tem imunidade normal, tem o risco de contrair a doença e desenvolver os sintomas. Quem tem imunidade baixa, inclusive os idosos, porque seu sistema imunológico já envelheceu, tende a apresentar os sintomas mais graves da doença”, acrescenta.

ESTILO DE VIDA ALTERA NOSSA DEFESA

Ana Caetano Faria, professora titular de Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista da Sociedade Brasileira de Imunologia, concorda.

“O que ocorre é que nosso estilo de vida faz com que nossa imunidade caia. Ou seja, existem formas de restabelecer a normalidade de nosso sistema imunológico, mas não elevá-lo”, diz.

O sistema imunológico é um conjunto complexo de células, tecidos, órgãos e moléculas que cumprem funções específicas em uma resposta coordenada para neutralizar vírus, bactérias, fungos e parasitas — antes que sejam fatais.

COMO O SISTEMA COMBATE VÍRUS

Diante de uma nova ameaça, o corpo tem de partir do zero e construir as defesas necessárias. Mas, no caso de um vírus, este processo costuma ser mais demorado do que a velocidade com que este tipo de microrganismo se multiplica e infecta células.

“É uma corrida. O adversário avança mais rápido do que o sistema imunológico consegue desenvolver mecanismos de ação para combatê-lo”, afirma o imunologista Renato Astray, pesquisador do Instituto Butantan.

Isso não significa, no entanto, que a batalha esteja perdida. O sistema imunológico encontra com o tempo, formas de acabar com a ameaça, como vem ocorrendo nesta epidemia de coronavírus.

Leia mais: Sistema imunológico – garante a proteção do nosso corpo contra substâncias estranhas e patógenos

Mantenha hábitos saudáveis e tenha sua imunidade ativa

FORMA NATURAL DE MELHORAR A IMUNIDADE

O sistema imunológico precisa ter seu funcionamento adequado e isso está diretamente relacionado com a nossa saúde. Não existem fórmulas mágicas para melhorar-se a imunidade, entretanto, hábitos de vida saudáveis podem ajudar-nos a garantir um melhor funcionamento desse sistema”, explica Vanessa Sardinha dos Santos, professora de Biologia.

Dentre as medidas que devemos adotar para melhorar nosso sistema imunológico, destacam-se:

– Alimentar-se de maneira saudável;
– Dormir bem;
– Praticar exercícios físicos;
– Hidratar-se;
– Evitar situações que provocam estresse.

Estudo mostra que coronavírus já circulava no país antes do isolamento

AGÊNCIA Brasil
Fernando Fraga

Imagem: Reuters/Dado Ruvic

Um estudo que envolveu pesquisadores do Brasil e do Reino Unido mostra que o novo coronavírus (covid-19) já circulava no país antes da adoção de medidas de isolamento social. Para fazer a análise, o grupo identificou 427 genomas do vírus no Brasil a partir dos dados de 7,9 mil amostras de laboratórios públicos e privados. O trabalho foi publicado na plataforma medRxiv e ainda não passou pela revisão da comunidade científica.

O estudo identificou que entre 22 e 27 de fevereiro, três tipos do vírus, provavelmente vindos da Europa, estavam presentes no país e conseguiram se estabelecer antes das medidas para restringir o contágio. O primeiro caso no Brasil foi confirmado em São Paulo, no dia 24 de fevereiro, em um homem que tinha voltado de viagem à Itália. As primeiras medidas de isolamento social só foram adotadas no estado a partir de 16 de março, e a quarentena, com fechamento dos serviços não essenciais, em 24 de março.

O trabalho também mostra que as medidas de isolamento social conseguiram reduzir a disseminação da doença no país. Para avaliar esse impacto, os pesquisadores cruzaram o número de mortes diárias com dados sobre o deslocamento da população fornecidos pela empresa de geolocalização InLoco e pelo Google.

Apesar dos efeitos positivos da quarentena, o estudo mostra que com a queda na adesão ao isolamento social em São Paulo, houve também um aumento na velocidade de transmissão da doença.

A pesquisa mostra ainda que as viagens dentro do Brasil tiveram um papel importante para que o coronavírus circulasse entre as diferentes regiões do país. Segundo o artigo, as “altamente populosas e bem conectadas áreas urbanas do Sudeste agem como principais fontes de exportação do vírus dentro do país”, apontam os pesquisadores após analisar também as distâncias médias das viagens de avião no período da pandemia.

Assinam o trabalho pesquisadores ligados a 44 instituições no Brasil e no Reino Unido. Entre eles, está o grupo do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e da Universidade de Oxford, da Inglaterra, que em fevereiro fizeram o primeiro sequenciamento genético do coronavírus na América Latina.

Pandemia pode levar 14 milhões de brasileiros para a pobreza, diz estudo

BBC News Brasil
Luis Barrucho

Foto: Wilson Dias/AGBrasil

A turbulência econômica causada pela pandemia do novo coronavírus pode jogar até 14,4 milhões de brasileiros na pobreza, segundo um novo estudo conduzido por pesquisadores da Inglaterra e Austrália junto com o Instituto Mundial das Nações Unidas para a Pesquisa Econômica do Desenvolvimento (UNU-WIDER).
A estimativa se refere ao número de pessoas que passariam a viver com menos de US$ 5,50 (R$ 27,40) por dia, um dos parâmetros de pobreza definidos pelo Banco Mundial – os outros dois são US$ 3,20 e US$ 1,90 (pobreza extrema) – no pior cenário possível, de queda de 20% de renda ou consumo.

No mundo, seriam 527,2 milhões de novos pobres nessa mesma base de comparação.

Pesquisadores da Universidade King’s College London e da Universidade Nacional da Austrália, responsáveis pelo estudo, avaliaram três cenários possíveis da recessão causada pela pandemia de covid-19 – queda de 5%, 10% e 20% de renda ou consumo.

Considerando o limiar de US$ 1,90 por dia (pobreza extrema), o número de novos pobres brasileiros poderia aumentar de 700 mil (5%) a 1,5 milhão (10%) e 3,3 milhões (20%).
Ao redor do mundo, o número de pessoas vivendo na pobreza extrema passaria de 727,3 milhões atualmente para 1,1 bilhão, na pior das hipóteses (20%).

“Pouca atenção tem sido dada por governantes ao problema da queda de renda”.


Segundo os pesquisadores, caso se confirme, esse cenário indicaria uma “reversão de sete a dez anos de progresso na luta contra a redução da pobreza, dependendo da contração, e o primeiro aumento absoluto de pessoas vivendo em extrema pobreza desde 1999”.
“Os impactos da pobreza atual serão determinados pelo que os governos vão fazer para mitigar as consequências danosas da pandemia. Os mais pobres não podem esperar até a reunião do G7 em setembro ou a do G20 em novembro”, acrescenta ele.

De volta à pobreza

Segundo os pesquisadores, “muita atenção está focada, justificadamente, nos aspectos da pandemia da covid-19 relacionados à saúde e na magnitude potencial da contração da atividade econômica dos países.”

“Mas o impacto que os choques de desemprego e da renda do trabalho como consequência das medidas de confinamento pode exercer nas taxas de pobreza em países em desenvolvimento vem recebendo relativamente menos atenção até agora”, assinalam.

Os pesquisadores ressaltam que os cenários avaliados, de queda de 5%, 10% ou 20% de renda ou consumo, estão em linha com as previsões de organismos internacionais.

No caso do pior cenário possível, por exemplo, eles dizem que a queda de 20% se aproxima “das estimativas da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de que o confinamento parcial ou completo pode resultar numa contração que varia entre 15% e 35% entre as 48 maiores economias do mundo, com um declínio de 25% a curto prazo nas economias em desenvolvimento e avançadas”.

Foto: H Dominique Abed/Free Image

Recessão mais ampla desde 1870

Em relatório recente, o Banco Mundial alertou que a pandemia de coronavírus provocou a mais ampla turbulência econômica global desde pelo menos 1870 e ameaça desencadear um aumento dramático nos níveis de pobreza em todo o mundo.

Trata-se do maior número de países entrando em recessão ao mesmo tempo em 150 anos.

A organização estima que o PIB de 90% das 183 economias avaliadas caia em 2020, mais do que os 85% dos países que sofreram recessão durante a Grande Depressão da década de 1930.

Já em comparação com outras recessões, a tormenta financeira causada pela pandemia de covid-19 seria a mais acentuada desde a Segunda Guerra Mundial e a quarta pior entre as 14 que o mundo atravessou nos últimos 150 anos.

Desde 1870, ela só seria superada pelas crises ocorridas no início da Primeira Guerra Mundial em 1914, na Grande Depressão em 1930-32 e após a desmobilização de tropas após a Segunda Guerra Mundial em 1945-46.

O Banco Mundial prevê que o PIB global encolha 5,2% neste ano, mais do que o dobro do registrado na crise financeira de 2008.

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CORONAVÍRUS: o homem de 86 anos com 13 doenças crônicas que se recuperou da covid-19

Fonte: BBC Brasil
Matheus Magenta
Da BBC News Brasil em Londres

Ele pertencia a quase todos os grupos mais atingidos pelo novo coronavírus. Era homem, tinha 86 anos e apresentava 13 doenças crônicas antes de contrair a grave doença respiratória.

Exame de imagem mostrava sinais nos dois pulmões que podem ser associados a uma pneumonia. Foto: BBC Brasil

Só que, para a surpresa dos profissionais de saúde, ele se tornou uma das 300 mil pessoas recuperadas da covid-19 até agora.

Mas como isso foi possível, já que até o momento não há nenhum estudo clínico que prove a eficácia de um tratamento contra o vírus Sars-CoV-2?

A história inesperada é relatada em um artigo assinado por cinco médicos das cidades chinesas de Guangzhou e Wuhan, onde a pandemia começou em dezembro do ano passado.

O trabalho, já avalizado por pares, foi submetido à revista científica da Associação Internacional para Estudos de Câncer de Pulmão.

POUCAS ESPERANÇAS

Os autores contam que o homem, de identidade não revelada, chegou ao hospital em 22 de janeiro, após dois dias de tosse e febre em torno de 38,8ºC.

Mas as perspectivas não eram muito promissoras para o paciente no Hospital Universitário de Jianghan.

De acordo com o mais amplo estudo já feito sobre a doença, com dezenas de milhares de infectados na China, o grupo com a mais alta taxa de mortalidade era o de pessoas com 80 anos ou mais: 15 a cada 100 infectados morrem.

E para agravar as perspectivas, o paciente de 86 anos apresentava outro fator de risco para o coronavírus: as chamadas comorbidades, que enfraquecem o sistema imunológico. Mais precisamente, 13 delas. A exemplo de hipertensão, diabetes, aterosclerose cerebral, pancreatite e insuficiência renal.

Taxa de mortalidade por coronavírus (idade)

Fonte: Centro Chinês para Controle de Doenças

No caso das pré-existentes diabetes e hipertensão, por exemplo, elas debilitam os neutrófilos, o tipo de glóbulo branco mais numeroso em nosso corpo e que atua como nossa primeira linha de defesa diante de ameaças, como bactérias e vírus.

Além disso, uma tomografia computadorizada apresentou sinais nos dois pulmões que podem ser associados a uma pneumonia.

O diagnóstico de covid-19 foi confirmado sete dias depois da entrada do paciente no hospital por meio do teste que identifica a presença do código genético do novo coronavírus.

COMO REVERTER ESSE QUADRO?

Apesar da corrida global em busca de um remédio que seja eficaz contra a nova doença, ainda não há nenhum estudo clínico em larga escala que tenha apontado alguma solução. Todos, até o momento, são usados de forma experimental a partir de estudos preliminares.

Mas isso significa que os médicos não utilizem remédios em pacientes graves para combater não apenas os sintomas mas também o vírus? Não.

As principais alternativas em estudo e aplicadas a depender da avaliação de cada médico incluem o remdesivir (criado contra o ebola), a cloroquina/hidroxicloroquina (antimaláricos que têm sido associados também ao antibiótico azitromicina) e uma combinação de ritonavir e lopinavir (usados contra o HIV), entre outros.

Ainda não há nenhum estudo clínico em larga escala que tenha apontado alguma solução que de fato funcione contra o novo coronavírus. Foto: Getty images

No Brasil, o Ministério da Saúde liberou o uso da cloroquina/hidroxicloroquina, apenas com autorização médica, a partir dos dados preliminares disponíveis, o chamado de uso compassivo (por compaixão), por não haver ainda uma “alternativa terapêutica específica para esses pacientes”.

No caso do paciente de 86 anos que se curou na China, os cinco médicos relatam que o tratamento foi a associação de um remédio para combater a infecção, outro contra o vírus em si e um terceiro à base de corticoide (metilprednisolona) para evitar o que se chama de “tempestade de citocinas”, substâncias que modulam o tamanho da resposta imunológica do corpo contra um invasor.

Essa tal tempestade é, na verdade, uma reação exagerada de defesa do corpo para combater o patógeno que acaba levando, em alguns casos de covid-19, a uma quantidade desproporcional de células nos pulmões que acaba obstruindo as vias aéreas e impedindo a transferência de oxigênio para a corrente sanguínea. É como se os pulmões acabassem inundados e sufocados.

Segundo especialistas, essa resposta imune exagerada tem sido uma das principais causas de morte de pacientes (principalmente os jovens) com coronavírus. Ainda não está claro porque algumas pessoas apresentam essa “tempestade de citocinas” e outras não.

O tratamento para o paciente de 86 anos descrito pelos cinco médicos chineses também recebeu na veia uma injeção de imunoglobulina humana, produzida a partir do plasma sanguíneo de outros doadores e usada para reforçar o sistema imunológico.

O tratamento com base em anticorpos de pessoas que se curaram, utilizado de forma experimental na China durante a pandemia, é uma das alternativas mais promissoras em estudo contra a covid-19.

O fato é que não dá para ter certeza se a melhora foi resultado dos remédios, mas alguns dias após a administração desse tratamento quádruplo, a febre cedeu e a inflamação nos pulmões recuou, segundo os pesquisadores.

Pela gravidade e velocidade da pandemia, médicos administram medicamentos experimentais para alguns pacientes da covid-19 mesmo que os estudos ainda estejam incompletos. Foto: Getty images

O que esse caso diz sobre a eficácia do tratamento?

Há dezenas de substâncias sob estudos clínicos em andamento ao redor do mundo em busca de um tratamento que funcione contra o novo coronavírus, mas nenhum deles chegou a alguma conclusão sobre sua eficácia.

O que veio a público até agora pela mídia e por redes sociais se trata de testes preliminares, que ainda não passaram por todas as etapas necessárias para uma eventual aprovação. A exemplo de testes in vitro, em camundongos, em animais não roedores e em humanos.

Uma dessas fases é a realização de um teste clínico randomizado controlado, considerado o padrão-ouro da pesquisa científica.

Nele, os pacientes são escolhidos aleatoriamente para evitar que haja um viés de confirmação (uma tendência de interpretar ou orientar os resultados de modo que confirme a hipótese inicial ou as certezas do pesquisador).

Por isso, esse caso isolado de cura do paciente de 86 anos com 13 comorbidades não pode ser tomado como uma prova de que essa abordagem funciona. O mesmo vale para os casos de pacientes que venceram a doença após receberem outros medicamentos experimentais.

Não é possível determinar atualmente que esses remédios foram responsáveis pela melhora do paciente, ou se o corpo venceu a batalha contra o vírus por si próprio, mas todas essas informações servem de pistas dos caminhos que podem ser seguidos pelos pesquisadores.

Um dos tratamentos ainda em estudo utiliza plasma sanguíneo com anticorpos doado por outras pessoas para fortalecer o sistema imunológico de pacientes doentes. Foto: Getty images

Há duas principais pistas dadas pela recuperação do paciente de 86 anos. Uma é a eventual eficácia da chamada imunização passiva com transfusão de plasma sanguíneo, que utiliza anticorpos de outras pessoas. Centros de pesquisa do Brasil foram autorizados a estudar essa possibilidade.

A segunda é um possível caminho para a batalha contra a “tempestade de citocinas”, que ganhou fama durante a Gripe Espanhola entre 1918 e 1920, ao matar muitos jovens.

Randy Cron, especialista em tempestades de citocinas da Universidade do Alabama em Birmingham, afirmou ao jornal americano The New York Times que essa resposta imunológica exagerada aparece em 15% das pessoas que estão lutando com infecções graves.

Ainda não há dados específicos sobre a incidência dela na pandemia atual de coronavírus.

Essa tempestade também é uma das hipóteses (ainda sem confirmação) para explicar por que crianças parecem não estar ficando gravemente doentes.

Em adultos em estado grave, uma resposta imune exagerada parece causar mais danos do que benefícios, provocando uma falência múltipla de órgãos.

Mas crianças, com sistema imunológico mais imaturo, parecem ser menos capazes de criar tempestades de citocina no combate a infecções virais.

Esse quadro de reação desenfreada pode explicar também porque a obesidade é um dos fatores de risco para a covid-19.

“Existem estudos em animais e em humanos que apontam, em quadros de obesidade, uma maior secreção de citocinas, que são substâncias inflamatórias produzidas por diferentes células do organismo e que modulam as células que defendem o corpo de infecções”, afirmou Oscar Cingolani, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, em entrevista recente à BBC News Brasil.

“Estamos começando a ver se isto contribui (para agravamento de quadros de covid-19). O que já sabemos é que, em alguns Estados americanos, como Nova Orleans, onde existem muitos obesos, estes estão entre os mais afetados pelo novo coronavírus.”

Matéria publicada em BBC Brasil (internet) – em 8 de abril de 2020

SAIBA TUDO SOBRE O NOVO CORONAVIRUS

Especialista esclarece tudo o que se sabe até agora

Dr.Renato Barra, médico do IMEB (Imagens Médicas de Brasília)

O mundo inteiro está LUTANDO contra a evolução do novo coronavírus (Covid-19) originado na China, onde surgiram relatos dos primeiros casos em meados de dezembro de 2019. Em todos os jornais e sites de notícia, esse tem sido o assunto mais falado. 

O vírus que afeta o ser humano causa sintomas semelhantes aos da gripe ou de um simples resfriado, mas não possui ainda um tratamento específico. Além disso, em alguns casos pode levar o paciente à morte. 

NÚMEROS DE CASOS NO MUNDO

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) registraram hoje (13 de março de 2020) os seguintes números:

CASOS EM TODO O MUNDO (até 13 de abril)
1.897.373 – Casos confirmados
444.492 – Curados
118.304 – Mortes

CASOS NO BRASIL
22.720 – Casos confirmados
1.270 – Mortes

EUA – 23.068 Mortes
Espanha – 17.614 Mortes
Itália – 20.465 Mortes
França – 14.967 Mortes
Reino Unido – 11.329 Mortes
Irã – 4.585 Mortes
China – 3.341

O coronavirus foi descoberto em 1960 e forma uma grande família viral. Corona significa “coroa” em italiano e foi nomeado dessa forma por conta das espículas que possui em sua superfície, que remetem ao objeto.

Inicialmente infectava animais, como: aves, morcegos, porcos e camelos. Porém, sofreram mutações e passaram a infectar humanos.

O vírus causa sintomas semelhantes aos de uma gripe comum até um quadro de síndrome respiratória aguda.

COMO O COVID-19 É TRANSMITIDO?

Isso é o que mais tem preocupado as pessoas e os governos nesse momento em relação ao coronavírus: sua rápida transmissão. O vírus se propaga de uma pessoa para outra por meio das vias respiratórias (secreções aéreas do paciente infectado) ou por contato com secreções contaminadas.

O vírus é transmitido, principalmente, por meio da tosse, do espirro e do próprio aperto de mão, a depender da capacidade do vírus de se multiplicar no organismo do infectado. 

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

O período de incubação (tempo entre a exposição e a manifestação dos sintomas) do Covid-19 é de 2 a 14 dias, sendo que os sintomas são semelhantes ao de uma gripe ou resfriado. Conheça os principais a seguir:

  • Febre
  • Tosse
  • Congestão nasal
  • Falta de paladar
  • Dor de garganta
  • Cansaço e dor no corpo
  • Falta de ar

Acomete, principalmente, idosos com doenças crônicas, crianças e pessoas com baixa imunidade.

COMO O NOVO CORONAVIRUS LEVA À MORTE?

A grande maioria dos infectados pelo novo coronavírus consiga se recuperar, algumas pessoas acabam desenvolvendo quadros respiratórios mais graves que atingem os brônquios e os pulmões, provocando pneumonia. Quando essa pneumonia evolui, pode levar o paciente à morte.

Ainda não se sabe ao certo por que a doença evolui dessa forma em certos casos, mas alguns grupos de pessoas estão mais suscetíveis à morte caso contraiam o novo coronavírus. São eles: idosos, crianças e aqueles que já possuem uma doença prévia.

Cientistas estimam que a cada mil casos do novo coronavírus, cerca de 2% ou menos resulta em morte. Os fatores estão associados ao gênero, idade, condições de saúde e até mesmo ao sistema de saúde no qual as pessoas estão inseridas.

EXISTE TRATAMENTO?

No momento, ainda não existe um tratamento específico homologado para contornar a atuação do vírus. Embora alguns médicos mundo afora tem iniciado protocolos de testes com medicamentos já existentes.

Pesquisadores de países como EUA, Itália e Alemanha tentam desenvolver as pressas uma vacina contra o Covid-19.

Investe-se em suporte com medicamentos sintomáticos, no caso de febre e dor. E, em casos mais graves, é indicado o acompanhamento em unidade de terapia intensiva.

COMO SE PREVENIR DO NOVO CORONAVIRUS?

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a melhor forma de evitar a doença é por meio da prevenção, seguindo medidas, como:

  • Manter a higienização das mãos e fazer uso de álcool em gel de grau alcoólico 70%, sempre que estiver fora de casa.
  • Não compartilhar itens de uso pessoal (como copos, talheres, toalhas).
  • Cobrir a boca ao tossir ou espirrar e lavar as mãos em seguida.
  • Evitar ambientes aglomerados, com pouca circulação de ar.
  • Evitar contato respiratório com pessoas doentes.
  • Não visitar países que são áreas de risco, assim como evitar contato com pessoas que estiveram nesses locais recentemente.
  • Fortalecer o sistema imunológico com uma boa alimentação, balanceada e rica em nutrientes; e com um sono de 6 a 8 horas por noite. 
  • Manter sua carteira de vacinação contra a gripe em dia.

É MESMO NECESSÁRIO EVITAR SAIR DE CASA?

A iniciativa de se evitar aglomerações e a circulação em ambiente públicos, sempre que possível, tem como objetivo conter a disseminação da doença, prevendo a capacidade de atendimento médico em todo o país.

Por mais que o contágio do coronavírus por pessoas consideradas saudáveis não apresente risco, a transferência do vírus para bebês, idosos, diabéticos ou outros grupos de risco pode ser fatal.

Para reverter o quadro acelerado de contágio da pandemia, medidas rígidas têm sido adotadas e devem ser seguidas por todos.

No Brasil, os governos estaduais e municipais tem adotado por meio de decretos, fechar comércios, escolas e até estradas e aeroportos. O governo federal montou uma equipe interministerial para estudar formas de fazer a economia girar e ao mesmo tempo, minimizar o avanço de contágio do vírus.

Tome os devidos cuidados e mantenha sua saúde em dia, investindo em uma boa alimentação, exercícios físicos, consultas sempre que necessário e mantendo sua carteira de vacinação sempre em dia.